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Saúde

Vendas de Ivermectina aumentaram 515% em Mato Grosso do Sul ano passado

Redação
Medicamentos como a hidroxicloroquina (antimalárico), a ivermectina (vermífugo) e a nitazoxanida (antiparasitário) tiveram altas expressivas nas vendas

Levantamento feito pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) apontou que a venda de medicamentos associados ao tratamento da Covid-19 aumentaram expressivamente, mesmo não havendo evidências científicas de suas eficácias. O vermífugo ivermectina, por exemplo, de 8 milhões unidades vendidas em 2019, passou para 53 milhões no ano passado, aumento de 557,26%.

A vendas de hidroxicloroquina mais que dobraram (211%), passando de 963 mil em 2019 para 2 milhões de unidades em 2020. A colecalciferol (vitamina D), teve acréscimo de 81,10%, de 18 milhões passou para 33 milhões; e ácido ascórbico (vitamina C) saltou de 44 milhões para 70 milhões.

O medicamento ibuprofeno foi o único que teve seu consumo reduzido, de 721.491 unidades vendidas em 2019, caiu para 609.597 em 2020, decréscimo de -16%.

A entidade aponta que a variação das vendas dos medicamentos foi influenciada pela rigidez, ou afrouxamento das normas sanitárias que orientaram a prescrição durante 2020. A nitazoxanida e a ivermectina ficaram sob controle especial durante um período do ano, quando o consumo diminuiu.

O CFF emitiu uma nota onde se posiciona de forma contrária ao chamado tratamento precoce. A decisão foi tomada no fim de janeiro de 2021, após a 500ª Reunião Plenária Ordinária do órgão.

O Conselho afirmou que não há medicamentos capazes de evitar a Covid-19, as únicas exceções são as vacinas anticovídicas. Só existem remédios para tratar sinais e sintomas da doença, contudo, devem ser usados somente sob prescrição médica.

“O CFF alerta que todos os medicamentos podem gerar efeitos adversos e que os riscos são ainda maiores para os medicamentos tarjados (aqueles de venda sob prescrição médica), não podendo ser negligenciados, considerando uma doença tão desafiadora como a Covid-19. A automedicação é fortemente desaconselhada”, alerta o membro da CFF, Tarcísio José Palhano.

“O conselho lembra a população que possíveis situações de infrações éticas ou descumprimento das normas sanitárias devem ser denunciados aos conselhos regionais de Farmácia e aos órgãos de vigilância sanitária locais”, ressaltou, em nota, o CFF.

O Conselho acrescenta aos farmacêuticos que reforcem a orientação das medidas de prevenção aos seus pacientes e busquem contribuir nas ações de rastreamento da doença.

“Detectando e encaminhando os casos suspeitos às unidades de saúde, e auxiliem os doentes com sinais e sintomas leves quanto ao uso correto dos medicamentos prescritos. Destaca ainda, que estes podem assumir um papel relevante na imunização das pessoas, garantindo a segurança do uso dos imunizantes no acompanhamento pós-vacinação”.

Confira o quadro completo:

Molécula Total 2019 Total 2020 Crescimento
HIDROXICLOROQUINA SULFATO 14.843 46.126  211%
IVERMECTINA 133.064 818.517 515%
DEXAMETASONA 247.888 293.239 18%
NITAZOXANIDA 147.605 157.841 7%
ASCORBICO ACIDO 341.159 530.475 55%
COLECALCIFEROL 189.063 412.894 118%
PARACETAMOL 553.218 671.661 21%
DIPIRONA SODICA  2.449.539 2.520.630 3%
IBUPROFENO 721.491 609.597 -16%

 

Campo Grande

O protocolo de medicamentos para o tratamento da Covid-19 foi anunciado no dia 1º de julho de 2020 pela prefeitura, logo após reunião com um grupo de médicos encabeçados pelo toxicologista Sandro Benites, que coordena o Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (Civitox).

Apesar de questionável, com várias estudos apontando a ineficácia de ambos medicamentos, sendo a hidroxicloroquina ainda causadora de efeitos colaterais consideráveis, o protocolo foi defendido por Benites e apoiado pelo prefeito Marcos Trad (PSD).

“Nunca vi alguém morrer em decorrência desses medicamentos em toda a minha carreira e nesses mais de 10 anos que estou à frente do Civitox”, destacou Benites no dia da reunião. Já Marcos Trad encerrou a reunião e saiu sem falar com a imprensa.

O primeiro lote chegou em agosto do ano passado, as quatro substâncias do protocolo custaram R$ 2,4 milhões.

Via Correio do Estado

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