Voz do MS

Política

Surian atenderá crianças no contraturno das aulas, diz vereador

Redação

[Via Correio do Estado]

O vereador Hederson Fritz (PSD) afirmou durante sessão da Câmara Municipal desta terça-feira (10) que a administração municipal voltou atrás na ideia de se transformar o antigo clube Surian em uma escola municipal especializada para o atendimento de crianças com deficiência. Conforme o parlamentar, a ideia agora é fazer do local um centro de atendimento no contraturno escolar.

“Se tinha a ideia de que seria uma forma de beneficiar, mas não foi olhado no parâmetro da questão da inclusão. O prefeito está extremamente sensível em adequar a ideia para contemplar de forma mais ampla as pessoas com deficiência”, declarou o Fritz.

Segundo ele, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) havia entendido que o espaço, por ter piscinas e quadras, poderia ser destinado a esses estudantes, entretanto, após pais e responsáveis se mostrarem contra a ideia, o projeto foi revisto. “Neste sentido, a gente já tem a demanda antiga de um Centro de Atendimento Médico Especializado. Não existe ainda recurso do Ministério da Saúde neste sentido, então a ideia é fazer uma integração com atividades educativas com a saúde no sentido de dar os primeiros passos da instituição desse centro”, contou.

Inicialmente o Surian seria estruturado como funciona hoje o Centro de Convivência do Idoso (CCI) Vovó Ziza, com atividades de lazer e atendimentos de saúde em dias específicos. O local, ainda conforme Fritz, funcionaria pela manhã e tarde, atendendo sempre os estudantes que não estivessem em horário de aula.

Para tratar sobre o assunto o vereador prometeu que nesta terça-feira ele e uma comissão de pais de alunos com deficiência se reúnem com o prefeito Marcos Trad (PSD) para resolver a situação.

PROTESTO

Durante a sessão, um grupo de mães e pais de crianças com deficiência esteve na Câmara para se manifestar. Eles protestavam contra dois pontos, o primeiro sobre a criação da escola especializada para deficientes e o segundo sobre a qualificação dos Auxiliares Educacionais Especializados (APEs), que assumiram a orientação dos alunos após a demissão dos Assistentes Educacionais Inclusivos (AEIs).

“Nós queremos que os vereadores vejam o que está acontecendo conosco, eles que aprovam os projetos que vem da gestão, que acordem para a nossa dor. Queremos que 2020 tenha um cenário diferente, se está entrando os AEIs no lugar dos APEs, que capacitem eles, que tragam ferramentas das quais eles possam trabalhar para deixar as crianças em pé de igualdade ou pelo menos em um nivelamento melhor”, afirmou Helenice Duarte, 42 anos, mãe de uma criança de 10 anos com transtorno do espectro autista (TEA) de grau severo.

Para a mãe Ana Paula Garcia e Souza, 48 anos, a ideia de tirar os alunos deficientes das escolas regulares pode aumentar a exclusão sofrida por essas crianças.

“A gente quer os nossos filhos em escolas regulares. Isso pode abrir brecha para as escolas regulares começaram a não querer disponibilizar vaga para os nossos filhos. É um longo caminho que a gente teve para inclusão em todos os espaços”, declarou Ana Paula, que é mãe de uma criança de 14 anos com paralisia cerebral que tem como comorbidade o autismo.

Comentários

Últimas notícias