Polícia

Pelo menos três envolvidos com operação foram ouvidos pela PF

[Via Correio do Estado]

Pelo menos três envolvidos na Operação Vostok prestaram depoimentos na manhã desta quarta-feira (4) na sede da Polícia Federal  o empreário Ivanildo Miranda, o deputado estadual Zé Teixeira (DEM) e o ex-secretário Nelson Cintra (PSDB).

Cintra disse que as perguntas feitas a ele foram repetidas "Estão requentando o que todo mundo já sabe que aconteceu em 2015. Eles estão fazendo novas perguntas  para que…. Tem muita coisa que perguntaram que a gente nem lembrava mais" explica Cintra.

Nelson Cintra que foi o único que entrou pela porta da frente da sede da Polícia Federal de Campo Grande.  O deputado estadual Zé Teixeira junto com o advogado Carlos Marques entram pelo estacionamento da polícia federal. O outro que não quis aparecer e teve todo um esquema para a imprensa não ver foi o empresário Ivanildo Miranda que estava com o advogado o seu advogado Newley Amarilla.  A presença de Ivanildo na sede da PF foi confirmado pelos advogados dos outros ouvidos.

Ao ser questionado se havia visto Ivanildo Mirando, Nelson Cintra disse que cruzou com ele na escada.

O ex- secretário Nelson Cintra explicou que está tranquilo e confiante com o andar da operação Vostok. " Eu vou juntar tudo que já passei para a Receita Federal e vou entregar para eles{Polícia Federal). Eu estou tranquilo porque não devo nada sou produtor rural fui prefeito e nos que estamos na política é assim de vez enquanto alguém vem investigar se estamos fazendo algo  e vão pesquisar. Estou tranquilo", explica.

Ao ser questionado sobre a acusação de ter vendido boi de papel, Cintra começou a falar, mas seu advogado Arnaldo Medeiros respondeu dizendo que os gados vendidos de Cintra para a JBS foi pesado e embarcado dentro da propriedade do pecuarista e o produtor rural não tem gerência nos veterinários para atestar se os veteranos vistoriaram cinco mil ou um gado." O caminhão do frigorífico foi na propriedade, o gado foi pesado lá mesmo. Saiu de lá comemos documentos. A partir daí o produtor rural não tem mais gerência sobre o gado", explica.

O outro ouvido pela Polícia Federal foi o deputado estadual Zé Teixeira (DEM) que chegou foi interrogado por uma hora pelo delegado Igor no qual o questionou sobre a venda de gados para a JBS. " Ele chegou foi para a sala de qualificação e depois foi prestar depoimento. Nós esclarecemos tudo", disse o advogado Carlos Marques que representa o deputado Zé Teixeira.

Ontem (3), houve um desdobramento da Operação Vostok, ocorrida em setembro de 2018. A ação é um esforço coordenado para a realização de diligências relacionadas às medidas cautelares de busca e apreensão, afastamento de sigilos telefônicos e bancários decretados pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Estão sendo intimadas aproximadamente 110 pessoas entre testemunhas e investigados. Os intimados terão as suas oitivas formalizadas nos estados de São Paulo, Paraná, Ceará, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A maior parte das oitivas, contudo, acontece na Superintendência da PF em Campo Grande, na região norte da Capital.

A investigação teve origem no acordo de colaboração dos executivos de conglomerado de empresas com destacada atuação no ramo de alimentos e apura um suposto esquema de corrupção na concessão de benefícios fiscais pelo governo do estado de Mato Grosso do Sul nos anos de 2015 e 2016.

Ontem foram ouvidos pelo menos seis pessoas, sendo uma delas o conselheiro do Tribunal de Contas, Márcio Monteiro.

A OPERAÇÃO

Entre acordos e propinas, a JBS deixou de recolher aos cofres públicos mais de R$ 209 milhões, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF). Foram emitidas notas fiscais frias para dissimulação do esquema de pagamento de propina outras empresas do ramo agropecuário e frigorifico. O rombo foi calculado somente nos dois primeiros anos da gestão atual.

A Operação Vostok, segundo nota divulgada na época pela Polícia Federal, teve as investigações iniciadas no começo deste ano, tendo por base termos de colaboração premiada de executivos da JBS. Os colaboradores detalharam os procedimentos adotados junto ao governo do Estado para a obtenção de benefícios fiscais.

Foram presos, na ocasião, o deputado estadual Zé Teixeira (DEM), o ex-deputado federal e ex-secretário de fazenda e atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Márcio Monteiro, além do agropecuarista de Maracaju, Élvio Rodrigues.

O governador Reinaldo Azambuja (PSDB) foi alvo de mandado de busca e apreensão em sua residência e no Parque dos Poderes.

O inquérito foi autorizado e tramita perante o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, que decretou as medidas em cumprimento. Aproximadamente 220 policiais federais cumprem 41 mandados de busca e apreensão e 14 mandados de prisão temporária, na capital do estado e nos municípios de Aquidauana, Dourados, Maracaju, Guia Lopes de Laguna; e Trairão no Estado do Pará. São alvos das medidas os endereços residenciais e comerciais dos investigados e os seus locais de trabalho.

Do total de créditos tributários auferidos pela empresa dos colaboradores, um percentual de até 30% era revertido em proveito da organização criminosa investigada. Nos autos do inquérito, foram juntadas cópias das notas fiscais falsas utilizadas para dissimulação desses pagamentos e os respectivos comprovantes de transferências bancárias.

Apurou-se também que parte da propina acertada teria sido viabilizada antecipadamente na forma de doação eleitoral oficial, ainda durante a campanha para as eleições em 2014; e que alguns pagamentos também teriam ocorridos mediante entregas de valores em espécie, realizadas nas cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, no ano de 2015.

No bojo da ação de hoje, foram cumpridos, ainda, três mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Estadual do Mato Grosso do Sul, no interesse da Promotoria do Patrimônio, cujo objeto vincula-se aos fatos investigados pela Polícia Federal.

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