[Via Correio do Estado]
A retomada da obra do prédio que seria a nova rodoviária de Campo Grande e, depois, o Centro de Belas Artes – localizado na Avenida Ernesto Geisel, no Bairro Cabreúva –, parada desde 2010, foi anunciada em outubro do ano passado, mas até agora não teve continuidade. Mais de oito meses após divulgar o prosseguimento da obra, que já foi cogitada também para ser shopping, centro de eventos e uma escola do Serviço Social da Indústria (Sesi), a prefeitura planeja abrigar no local a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).
“Poderia ser a Secretaria Municipal de Saúde, que funciona em um espaço antigo. Levar a secretaria para lá ou montar várias secretarias. Já tivemos propostas de todo jeito, de tudo quanto é lado. Uns querem uma coisa e outros querem outra. Já falaram de fazer shopping ali. Mas são meras especulações. Precisamos finalizar e depois disso pensar”, disse o secretário municipal de Governo e Relações Institucionais (Segov), Antônio Cézar Lacerda.
A Sesau ocupa um prédio na Rua Bahia, próximo à Avenida Afonso Pena. Em frente à sede também estão localizados outros serviços da área da saúde, como regulação e a central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O local já abrigou a sede da Águas Guariroba.
Porém, o plano de mudança para área do Belas Artes ainda depende da conclusão do espaço. Atualmente, o terreno é usado apenas como depósito pela empresa responsável pelo Reviva Campo Grande, a Engepar, que deixa no local os materiais e maquinários usados na intervenção feita ao longo da Rua 14 de Julho.
“Temos uma pendência com o Ministério do Turismo e precisamos resolver isso. São 14 mil m² e 2 mil m² construídos. Foram aplicados recursos lá e nós não conseguimos concluir a obra, que tem contrapartida do município. Não temos recursos, por isso buscamos uma linha de crédito, o Financiamento à Infraestrutura e ao Saneamento (Finisa), e estamos com os processos e a licitação em andamento. Depois disso, ficamos liberados e aí podemos definir o que fazer”, explicou Lacerda.
CONFUSÃO
No dia 5 de outubro de 2018, o prefeito Marcos Trad (PSD) assinou contrato de financiamento com a Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 11,5 milhões, para dar andamento a obras paradas, entre elas, a do Centro de Belas Artes, com R$ 7 milhões em recursos.
A coordenadora da Central de Projetos da Segov, Catiana Sabadin, informou na época que a obra do Centro de Belas Artes foi paralisada na administração anterior e estava sendo retomada, o que ainda não aconteceu. “Nós retomamos os projetos e fizemos os levantamentos que faltavam. Constatamos a necessidade das contrapartidas, que nós estamos viabilizando com o aporte do Finisa. Este é um bom início e, com isso, nós temos como repensar os restantes dos recursos para toda área, que podem vir com a parceria de empresas privadas”. Catiana disse na ocasião que o valor seria usado para finalizar as salas de dança, artesanato, hall de entrada, para dar “funcionalidade” aos locais.
A informação dada na assinatura do financiamento feito pelo Executivo era de que o recurso do Finisa (R$ 7 milhões) seria usado como contrapartida da prefeitura para retomar a obra interrompida e evitar que o Ministério do Turismo rescindisse o convênio, exigindo a devolução de R$ 20 milhões, valor corrigido dos convênios.
“A conversão da estrutura projetada para ser rodoviária, em um espaço para exposições e atividades culturais, foi orçada inicialmente em R$ 35 milhões. Os R$ 3 milhões disponíveis, saldos de convênios, são insuficientes para recuperar e terminar os 2,9 mil m² já readequados para funcionar como Centro de Belas Artes”, informou a prefeitura há oito meses. Mas agora os planos parecem ser outros, já que a Sesau deve ser transferida para a área.
Também no anúncio de retomada da obra, o secretário municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Rudi Fiorese, informou que, apenas para refazer o que foi destruído por vândalos e repor materiais furtados do prédio desde a interrupção da obra, era preciso aplicar aproximadamente R$ 4 milhões. “Concluída esta etapa, a prefeitura planeja estruturar uma parceria público-privada (PPP) para readequar os 13 mil metros quadrados do que seria uma rodoviária”, informou reportagem sobre o empréstimo divulgada no site da prefeitura.
Mas agora Lacerda descarta a possibilidade de PPP para manter o prédio. “Nós vamos concluir a obra e nos liberar do compromisso com o Ministério do Turismo, ficar livre para incluir em outro programa”, disse o titular da Segov.