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Ex-alunas se encontram após 55 anos

[Via Correio do Estado]

Quem lê o nome do grupo “As Poderosas dos Anos 60” em um aplicativo de mensagens não imagina que as mulheres reunidas virtualmente viveram grande parte da adolescência juntas, em um tradicional internato de freiras de Campo Grande. Meio século depois, as estudantes se reencontraram e relembraram as escaladas aos pés de manga e as fugas para a feira em busca de batons da moda na época.

Idealizadora do encontro, Ledir Marques Pedrosa, 67 anos, explica que o desejo de reencontrar as alunas do Colégio Nossa Senhora Auxiliadora surgiu há pouco tempo e que foi preciso um mês para reunir todas as ex-estudantes em um grupo no WhatsApp. “Em Campo Grande, tem várias meninas e comecei a conversar com elas primeiro. Aos poucos, fomos encontrando as que moravam fora da cidade e até do País”, explica Ledir.

O encontro anual das ex-alunas ocorreu no colégio durante o Dia de Nossa Senhora Auxiliadora, celebrado em 24 de maio. “A primeira ex-aluna com quem eu conversei foi a Ingrid, que participou de um encontro de ex-alunas no ano passado, mas ela foi sozinha”, diz.

Por meio da movimentação no grupo, Ledir e mais 61 mulheres decidiram ir à reunião de ex-alunas da escola e reproduzir os passos que elas percorreram na infância e adolescência. “Foi incrível, porque vieram pessoas de outras cidades, como Rio Brilhante, Nioaque, Bela Vista, Dourados, Amambai, Palmas e até da Cidade del Leste, no Paraguai”, afirma.

Nanci de Jesus Albuquerque Pissini, 68 anos, é uma das viajantes. Ela veio de Amambai, em Mato Grosso do Sul, especialmente para o encontro e confessa que foi difícil segurar a empolgação.

“Foi uma surpresa ter encontrado tantas meninas. Começamos a procurar em abril e iniciamos a comunicação para o encontro. As meninas foram passando os contatos, procurando, e chegamos à Bahia, ao Rio de Janeiro e a Foz do Iguaçu. Conseguimos conversar e virou uma coisa esse WhatsApp, tem conversa até de madrugada”, ri a ex-aluna.

Do momento na escola, ficaram as histórias sobre um pé de manga e serenatas de amor que sempre terminavam em um banho forçado. “A emoção foi tão grande e o assunto era apenas o passado. Foram muitas lembranças, como de uma mangueira, de alguém que subiu escondido e só havia uma manga. A aluna comeu lá em cima a fruta, enquanto a outra esperava que ela jogasse uma para ela. As serenatas que os meninos fizeram e a freira jogou um balde d’água para espantar. Ainda tinha a ameaça de castigo se descobrisse para quem era a serenata”, conta Ledir.

Até as fugas do colégio foram confessadas, depois de 55 anos do delito. “Fugiram pelo portão da horta para comprar um batom na feira que ficava perto do colégio”, recorda-se Nanci. Tudo isso em meio a 80 participantes, inclusive com a presença das professoras da época, as freiras do colégio. “Irmã Silvia era grandona na época, andava ligeiro, chegavam a fazer barulho as vestes dela, pareciam vento. Agora está velhinha e fez um trabalho maravilhoso no São Julião”, complementa Nanci.

Das lembranças, permanece agora o desejo de continuar a amizade, retomada, para elas, na hora certa. “Já estamos combinando viagens e outros encontros”, revela.

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