[Via Correio do Estado]
“A mulher virou vítima do próprio sentimento”. A declaração foi dada na manhã desta terça-feira (12) pela vereadora Dharleng Campos (PP) e tem relação com os casos de feminicídio registrados na última semana em Mato Grosso do Sul.
Dharleng usou a tribuna para falar sobre os casos e lamentou o fato da Casa de Leis ser representada por apenas duas mulheres e discursou sobre a perseguição que algumas estão vivendo. “A mulher se entrega, cuida do companheiro, e vira vítima do sentimento “.
Dharleng afirmou que, no mês de março deveria ser discutido o poder feminino e não mortes brutais. “Eu fico sem ter o que dizer, porque parece que estamos de mãos atadas”.
Cida Amaral (PROS) reforçou que ninguém têm o direito de tirar uma vida. “Nós mulheres que criamos esses homens. Isso incomoda muito, pois cada vez que morre uma mulher, morre a sociedade”.
Odilon de Oliveira (PDT) disse compartilhar do sofrimento. “A mulher é a argamassa que liga toda a família. Esses homens atacam a família. A sociedade avança a passos largos com informações de stalking e ficamos um passo atrás para podermos defender. Temos que discutir mais esse tema, levar para as escolas públicas, para acabar com a superposição do ego masculino “.
Para Valdir Gomes (PP) é preciso ter lei severa. “Precisamos elaborar documento, encaminhar para Brasília e fazer lei severa. Quem tira vida, não pode voltar a conviver na sociedade”, finalizou.
ENTENDA OS CASOS
Em menos de três meses, nove mulheres foram assassinadas em Mato Grosso do Sul, vítimas de feminicídio. Somente em Campo Grande, no mesmo período, são dois casos. O que tem chamado a atenção da polícia é o requinte de crueldade com que esses crimes foram cometidos. Menos de 24 horas após uma professora ter sido morta em Corumbá, com 36 facadas, em Caarapó uma outra mulher morreu após o marido ter passado duas vezes com as rodas do carro sobre ela.
Segundo dados da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), durante todo o ano passado aconteceram em Mato Grosso do Sul 32 casos de feminicídio. Em Campo Grande, conforme estatística, nos 12 meses foram registrados sete episódios.