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Desfile promove encontro de gerações na passarela e na arquibancada

[Via Correio do Estado]

Décadas de experiência na passarela e poucos dias de ensaio são algumas das distinções entre os integrantes das escolas de samba de Campo Grande, no segundo dia de desfile, realizado na noite desta terça-feira, na Avenida Alfredo Scaff, próximo à Praça do Papa. O contraste entre gerações repete-se na arquibancada. Mas, ao som do samba as diferenças só enriquecem e tornam a folia espaço de união.

A dedicação de alguns participantes ocorre durante todo ano, mas se intensifica com a aproximação do desfiles. Para mergulhar inteiramente em um universo bem diferente da distribuição de peças, ramo a qual se dedica, Paulo Vanderlei, 50 anos, tira até férias para ajudar a construir o desfile da Unidos do Cruzeiro. Há 23 anos este é o ritual dos primeios meses do ano. “Vemos que é um trabalho produtivo que une as pessoas”, explica.

Décadas de passarela do samba também fazem parte da história da aposentada Firmina Lara, 65 anos. Natural do município de Corumbá, sede do carnaval mais tradicional do estado, ela carrega o samba no sangue e faz questão de brilhar na avenida todos os anos. Em 2019, ela compõem a ala das baianas. “Eu me divirto. Esse momento para mim é só alegria”.

Enquanto uns distribuem anos de dedicação à festa, outros passam pela experiência pela primeira vez. A pouca idade não foi impecilho para que duas irmãs, de seis e oito anos de idade, participassem do desfile. Junto com a mãe, Giovana Araújo, 38 anos, elas eram só ansiedade nos minutos que antecediam a estreia na avenida. Apesar da vendedora partipar do evento em anos anteriores, a iniciativa de desfilar em 2019 partiu das próprias filhas. “É bom para conhecer o que é o carnaval em si. Desmistificar essa ideia de que a festa é só bebida e bagunça”, explicou a mãe das meninas.

EXPECTADORES

A confraternização entre pessoas de diferentes idades não se limitou à passarela. Na arquibancada, pais e filhos, netos e avôs, tias e sobrinhas fizeram do desfile de carnaval doce lembrança de família.

O eletricista, José Rodrigues, 54 anos, foi o responsável pela estreia das netas de dois e 13 anos como expectadoras do desfile de carnaval. “Moramos aqui perto. Acho bom trazer para mostrar esse divertimento, além disto, tem essa questão da cultura”, explicou.

Para Lorena, de cinco anos, este desfile era apenas o primeiro, mas a avô e as tias que a acompanhavam já fizeram do evento programa obrigatório. “É importante para ela conhecer a cultura de Campo Grande. As escolas de samba contam muitas histórias”, explicou a pedagoga Jaqueline Dias, 44 anos.

ENCERRAMENTO

Cinco escolas de samba se apresentaram neste último dia de desfile, que começou na última segunda-feira. A Unidos do Cruzeiro homenageou o nordeste com o samba-enredo “Oxente cabra da peste, eu sou o Nordeste”. A Catedráticos do Samba abordou a história da comunidade árabe no desenvolvimento da Capital.

Campeã no ano passado, a escola Deixa Falar, prestou homenagem a prefessora e escritora Maria da Glória Sá Rosa. A Igrejinha, uma das favoritas, apresentou o samba-enredo "Scalise e Igrejinha: Arquitetando Folia, Abençoado por Deus e Arteiro por Natureza", em homenagem ao arquiteto Luís Pedro Scalise. Encerrando a madrugada, a Unidos da Vila Carvalho, entrou na avenida para rever sua própria história em 50 anos de avenida.

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