[Via Correio do Estado]
Utilizando-se de estratégias de repressão mais abrangentes, notadamente o serviço de inteligência, a polícia tem focado os grandes atacadistas de cocaína (volumes expressivos), com significativas apreensões neste início de ano. São mais de 2,5 toneladas do entorpecente interceptadas em menos de dois meses, em Mato Grosso do Sul.
Os resultados são atribuídos ao trabalho de investigação da Polícia Federal, aliado a parcerias com outros organismos de repressão, inclusive do Paraguai, como a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). A justificativa é do delegado Lucas Vilela, da Delegacia de Repressão a Entorpecente (DRE), da PF no Estado. Ele também cita o aumento da produção de cocaína na Bolívia, na Colômbia e no Peru.
Apenas em janeiro e fevereiro deste ano, as polícias Federal e Rodoviária Federal já apreenderam, em Mato Grosso do Sul, 2.086 quilos de cocaína, considerando somente os grandes volumes. Somadas ao que foi interceptado pela Polícia Militar e pela Receita, as apreensões chegam a 2.781 quilos.
De acordo com a PF, a quantidade de dois meses deste ano já está próxima da apreendida durante todo o ano passado – 3.972 quilos. Neste ano, foram quatro apreensões significativas.
A primeira, em janeiro, ocorreu no Posto Capey, em Ponta Porã, onde a Polícia Rodoviária Federal barrou um veículo BMW X5 com 940 quilos. A carga seguiria para São Paulo e depois ao exterior.
Posteriormente, a Polícia Federal apreendeu 954 quilos, em Três Lagoas. No mesmo dia, a Receita Federal reteve no Posto Esdras, em Corumbá, 158 quilos. A quarta apreensão aconteceu na semana passada, quando a Polícia Militar apreendeu 537 quilos em Deodápolis.
O delegado Lucas Vilela, porém, destaca que a preocupação não é apenas fazer apreensões, mas também descapitalizar as organizações criminosas. A meta é alcançar os bens daqueles que financiam o esquema, pois, se o núcleo não for atingido, mais mercadoria será adquirida e novos transportadores aliciados, dando continuidade ao ciclo.
O desdobramento das investigações a partir de uma apreensão pode até mesmo servir de base para as operações de maior abrangência, estaduais ou interestaduais.
Indagado sobre a rota de escoamento da cocaína, o delegado reiterou que Mato Grosso do Sul – e muitas vezes o Brasil, em direção ao exterior – é apenas um corredor de passagem das grandes quantidades vindas da Bolívia, da Colômbia e do Peru. O mesmo ocorre com o Paraguai, onde a droga chega para ser redistribuída. Os traficantes operam com o transporte aéreo, usando pistas e voos clandestinos, além de trechos terrestres e até marítimos, quando o destino é o exterior.
REFORÇO
No início do mês, falando ao Correio do Estado, o delegado Cléo Matusiak Mazzotti, novo superintendente da PF em Mato Grosso do Sul, disse que a prioridade são as ações operacionais que quebrem a estrutura financeira do tráfico, de forma a impossibilitar a continuidade da sua atuação. No seu entender, de nada adianta somente fazer crescer o volume de apreensões, quando esses ilícitos são encontrados apenas nas mãos de “mulas” (transportadores).
Conforme frisou, quando se atinge a estrutura financeira, a sobrevivência do grupo fica comprometida. No ano passado, por exemplo, Mato Grosso do Sul foi o segundo estado em apreensão de bens em operações de repressão às drogas. Foram R$ 87 milhões, o equivalente a 19,2% do montante nacional (R$ 451.534.534,21).