Após protesto por fechamento de escola, secretaria diz que unidade será “transferida”
[Via Correio do Estado]
Grupo de 60 pessoas entre pais, estudantes e funcionários da Escola Estadual Riachuelo, no Bairro Cabreúva se reuniu na manhã de hoje para protestar contra o fechamento da unidade. Professores e servidores administrativos alegam que foram informados ontem (18) por meio de comunicação interna sobre o encerramento das atividades no local. O prédio será utilizado para ser a sede da Escola de Governo.
Valquíria Matos, mãe de um dos alunos, está preocupada com o fechamento. “A escola é pra ressocialização de alunos, é diferente. Não dá para mandar eles para qualquer lugar”, explicou. A unidade tem aproximadamente 700 alunos, e ainda ontem, quando a direção soube do fechamento o local, já suspendeu as atividades. Os estudantes que frequentam as aulas ali, são na maioria, alunos já expulsos de outras escolas. “O acolhimento é diferenciado”, disse a mãe.
A aluna Adriely Matos também falou sobre a forma de abordagem aos estudantes. “Temos um grande laço com os professores, não queremos perder isso. O aprendizado é diferente”.
O vereador Valdir Gomes (PP) esteve no protesto e disse que os pais vão fazer um protesto em frente a Câmara Municipal. Eles pretendem acampar em frente à Casa de Leis. Mas a abordagem da manifestação não foi explicada, já que a escola em questão é Estadual e qualquer tipo de reivindicação deveria ser encaminhada ao Governo do Estado e a Secretaria e Estado de Educação (SED).
“Querem mandar os alunos para o outro lado da cidade. Se for assim 99,9% dos alunos vão parar de estudar. É uma falta de respeito com os funcionários e professores. Avisaram ontem e já fecharam a escola”, disse outra mãe, Ana Cristina Dias.
Em nota, a SED informou que a escola “não será fechada, mas sim transferida para o prédio da Escola Estadual Hércules Maymone”. A unidade, localizada na Rua Joaquim Murtinho, é uma das maiores da cidade. “A mudança foi motivada, entre outros fatores, pela dificuldade na mobilidade dos estudantes, que não contam com uma linha de ônibus que possa atender o deslocamento de alunos que moram em regiões mais afastadas da unidade, localizada no Bairro Cabreúva, uma vez que poucos moram em localidades próximas”, informou a secretaria, que não deu explicações relativas ao motivo da unidade ter funcionado durante tanto tempo no local e o problema de transporte não ter sido resolvido.
Enquanto funcionários da unidade dizem que a escola tem 700 alunos, a SED informou que são 380 matriculados no Avanço do Jovem na Aprendizagem (AJA). “Desde 2017, a unidade atende apenas aos alunos matriculados no projeto que tem como objetivo proporcionar o atendimento e oportunidades aos jovens, na faixa etária de 15 a 17 anos em distorção idade/ano”.
Funcionários da escola Riachuelo também disseram que os professores que atuam lá são todos convocados e já foram dispensados. “Os contratos de trabalho estavam garantidos e agora todos foram desligados”, disse uma servidora que trabalha no local e pediu para não ter o nome divulgado. Mas a secretaria informou que toda a equipe docente lotada na escola passará a realizar o atendimento aos estudantes no novo endereço, a partir do próximo ano letivo, “garantindo assim a qualidade do ensino ofertado aos alunos do Projeto AJA”.
