[Via Correio do Estado]
Com sete registros de ataque de cães contra leituristas, a Águas Guariroba, concessionária responsável pelo serviço de água e esgoto de Campo Grande, fez uma parceria com o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar para um treinamento e capacitação de 45 profissionais sobre como lidar com cães quando forem fazer a leitura de hidrômetros nas residências.
Ministrado pelo Grupo de Cães Especiais (GCE), o treinamento passa aos leituristas como identificar o comportamento de um animais agressivo e que pode atacar, além de como agir caso isso aconteça.
“Os animais respondem mais para gestos que por palavras, fazem uma leitura corporal. Então precisamos observar o comportamento do cão, a expressão e entender o que ele quer dizer. Nem sempre quando tá latindo quer dizer que ele tá nervoso ou quer atacar. Na maioria das vezes o cão avisa quando vai morder. Por isso é preciso ter respeito e entender o limite de espaço do animal. As pessoas precisam ter mais o hábito de entender o comportamento deles para não dar nenhuma reposta inadequada”, comentou o cabo Alexandre Duarte de Barros, um dos palestrantes.
Ainda conforme o policial, há algumas características mais comuns demonstradas pelo cão quando ele pode atacar. “Geralmente, quando o cão tem intenção de atacar, ele demonstra os pelos ouriçados, a boca serrada e a dentição a mostra. É uma postura de um predador agressivo. Tenta se impor por meio da postura. Outro sinal, mesmo rastejante e com medo, ele também pode atacar. Por conta do medo mesmo. Em todas as situações é preciso manter a calma e tentar não fazer movimentos bruscos, demonstrar segurança e evitar contato visual. Dependendo do cão, contato visual é determinante”, completou.
E em caso de ataques, o ideal é se proteger de alguma forma, com algum objeto. “Se perceber que vai ser atacado mesmo, tentem colocar algo entre o cão e você. Porque ele vai atacar o objeto. Se tiver com alguma mochila, por exemplo. Na pior das hipóteses e não tiver nada para se proteger, coloque o braço. É melhor o braço que alguma área mais crítica do corpo, como pescoço e vias aéreas”, concluiu o cabo.
Leiturista há sete anos na concessionária, Vilmar Pereira Costa, de 33 anos, participa do curso e lembra que foi atacado por um cão há três meses. “Foi no Jardim Noroeste. Toda vez que passava pela casa via o cão de grande porte que pulava no portão. Nesse dia, de longe já vi o portão caído e o cão solto. Quando ele me viu, me atacou. Pulou no meu pescoço. Consegui desviar e ele pegou meu braço”, lembra.
Após a palestra, os participantes farão uma dinâmica utilizando os cães do próprio Bope. São seis cães no total da raça Pastor Alemão, Labrador e Farejador Brasileiro.