Capital

Capital é espaço ideal para observar aves

[Via Correio do Estado]

Se existe um lugar onde abrir a janela e se deparar com uma arara não é incomum, este lugar é Campo Grande. Com mais de 350 espécies de aves identificadas na área urbana, a capital sul-mato-grossense tem potencial para tornar-se um dos destinos preferidos quando o assunto é observação de aves, prática mais conhecida como “birdwachting”, ou “passarinhar”.

De acordo com a ambientalista Simone Mamede, do Instituto Mamede, ao menos 30 hotspots (locais propícios) para o aparecimento das espécies foram identificados na cidade. A região do Prosa concentra o maior número deles, com oito. Existem algumas pistas ou indicadores de que o local é adequado para a atividade. Ser uma unidade de conservação, com uma paisagem heterogênea e funcional é uma delas. Em outras palavras, a ambientalista explica que quanto maior a quantidade de espécies de árvores, maiores as chances de aves variadas serem encontradas.

“A riqueza de aves que a gente tem está muito relacionada à arborização da cidade. Vivemos numa cidade verde, uma das capitais mais arborizadas do País”. O termo riqueza usado por Simone não é exagero. Isso porque, segundo ela, até espécies ameaçadas de extinção ou endêmicas, ou seja, que só ocorrem em um bioma específico, já foram observadas em Campo Grande.

Ela cita águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) como espécie ameaçada e outras endêmicas como chorozinho-de-bico-comprido (Herpsilochmus longirostris), bico-de-pimenta (Saltator fuliginosus), bandoleta (Cypsnagra hirundinacea) e cigarra-do-campo (Neothraupis fasciata).

O melhor período para observar aves é em setembro, quando a maioria das espécies está em período reprodutivo. Nessa época, alguns machos cantam mais alto como forma de atrair as fêmeas. Outras aves aproveitam para ficar com a plumagem mais colorida. Mas isso não quer dizer que, em outros períodos, a atividade se torna desinteressante. “Em Campo Grande, o ano inteiro é momento de observar aves”.

Um dos observadores é o guia de turismo Carlos Iracy Coelho Neto, 59 anos. Ele tem uma lista com 370 aves registradas e conta que o hobby surgiu em 2012, quando ele e outros profissionais da área precisaram passar por um curso de capacitação no assunto e criaram o Clube de Observadores de Aves de Campo Grande. Sempre admirei muito as aves, mas só via as grandes porque são mais fáceis”, explica.

Depois de dar início às observações, a admiração só aumentou. “A beleza está nas menores, que encantam mais a gente. Mas dá mais trabalho fazer”. Os encontros dos observadores são marcados pelas redes sociais. Na Capital, são, ao menos, 30 observadores assíduos. “Somos privilegiados porque aqui não vemos aves em gaiolas”, finalizou.

AS FASES

Iracy conta que a observação começa quando você escuta o som das aves e tenta identificar de qual espécie se trata. Os observadores costumam andar com gravações do canto de alguns pássaros para atraílos quando estão “escondidos” na natureza. No momento em que as aves se aproximam, os observadores usam os binóculos para identificar melhor. Se a ave está em um bom ângulo é a vez de fotografar. As imagens da coleção de cada observador são compartilhadas em um site. Todo o processo, desde a saída de casa até a fotografia da ave, costuma ser registrado por meio de anotações.

TOTENS

(*) Matéria alterada às 9h24 para correção de informações. Onde se lia "penugem" foi alterado para "plumagem".  Acréscimo também de espécies endêmicas e ameaçadas. 

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