Polícia

Senador Moka diz que prisão de Puccinelli causa ‘estranheza’

[Via Correio do Estado]

“Estranheza.” Essa foi a forma como o senador Waldemir Moka (MDB) qualificou a prisão do pré-candidato do partido ao Governo de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli, na manhã desta sexta-feira (20).

Segundo Moka, é passível de desconfiança o fato da prisão ser realizada um dia antes da data para a qual estava marcada a convenção do MDB que ratificaria Puccinelli como o postulante ao cargo de governador. Inicialmente marcado para este sábado (21), o partido decidiu adiar o evento para o próximo dia 4 de agosto.

"É estranho porque da última vez quando o André ia assumir a presidência do partido houve a primeira prisão, é estranho que agora um dia antes da convenção novamente uma decisão prenda ele", disse Moka.

Ainda de acordo com o senador, ninguém do partido está apreensivo ou desanimado. "Os representantes dos partidos aliados estão aqui para provar isso", disse. "A convenção continua marcada, as alianças continuam firmadas. Da nossa parte, André terá toda a solidariedade. Não há plano B, ele é nosso candidato."

O deputado estadual Júnior Mochi se disse "surpreendido" com a prisão de Puccinelli, e afirmou ter recebido a designação para as conversas com os advogados do ex-governador para saber mais sobre a decisão. "Medidas jurídicas estão sendo tomadas e até segunda-feira ou terça, esperamos que ele seja solto", apontou.

Segundo ele, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região deverá conceder um habeas corpus (o direito de responder o processo em liberade) até a próxima terça-feira (24). Além disso, a decisão deverá ser revista em caráter de liminar. "Não quero questionar a decisão", disse.

Cotado como uma opção do partido para as eleições ao Governo, Mochi desmentiu as pretensões. "Não tem outro (nome)", completou.

Todos os deputados estaduais do MDB estiveram presentes no comunicado realizado na sede do partido, exceto Renato Câmara, que está viajando.

O CASO

Está já é a terceira vez que o ex-governador entra na mira da PF, no âmbito da Operação Lama Asfáltica. Em 2016, foi alvo de busca e apreensão e, em novembro do ano passado, ele e o filho foram presos na Operação Papiros de Lama, desdobramento da Lama Asfáltica, que investigava organização criminosa envolvida com desvio de recursos públicos. Conforme Siufi, os mandados de agora seriam resultados de diligências feitas a partir da Papiros de Lama, embora, segundo ele, “não haja fatos novos”.

A polícia investigava nesta operação grupo que desviou recursos públicos por meio do direcionamento de licitações, superfaturamento de obras, aquisição fictícia ou ilícita de produtos, financiamento de atividades privadas sem relação com a atividade-fim de empresas estatais, concessão de créditos tributários com vistas ao recebimento de propina e corrupção de agentes públicos. Além do ex-governador, foram presos seu filho, André Puccinelli Júnior, e o advogado João Paulo Caves. Todos já foram encaminhados para o Instituto Penal de Campo Grande, que fica no Jardim Noroeste, região leste da Capital.

Os recursos desviados passaram por processos elaborados de ocultação da origem, resultando na configuração do delito de lavagem de dinheiro. Quando a ação foi deflagrada, foram cumpridos, dois mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária, seis de condução coercitiva e 24 mandados de busca e apreensão. Além de Campo Grande, os alvos estão localizados nas cidades de Nioaque, Aquidauana e São Paulo (SP). Os desvios chegam a R$ 235 milhões. Ainda em novembro, Puccinelli e o filho tiveram habeas corpus deferido pelo Tribunal Regional Federal (TRF-3) e passaram a responder em liberdade.

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