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Em busca de emprego e regularização, trabalhador da Capital madruga na fila

[Via Correio do Estado]

A busca por emprego e regularização trabalhista transforma a ida às agências de Campo Grande em verdadeiro calvário. Na Fundação Social do Trabalho (Funsat), localizada na Rua 14 de Julho, na Vila Glória, a fila começa nas primeiras horas da madrugada. Já pela manhã, a aglomeração, reflexo da crise econômica instaurada em todo o país, chama atenção. Nem mesmo quem chega bem cedo se livra da espera.

O motorista Joel Figueiredo dos Reis, de 54 anos, é um exemplo. Ele chegou ao local por volta das 2 horas da madrugada, com o objetivo de pegar senha para tirar segunda via da Carteira de Trabalho, mas já tinha gente por lá. "É uma situação de escravidão que vive o trabalhador brasileiro. Ter que acordar uma hora dessas para entrar em fila", disse.

O estudante Fábio Henrique Sobrinho Pael, 20, aguardava desde às 04h30 para conseguir tirar a carteira. O transtorno só não foi maior porque pôde se deslocar em veículo próprio, ao invés de usar transporte público. Na opinião dele, a burocracia engessa o processo de atendimento, impedindo que o serviço siga de forma fluida. "É tudo muito burocrático, desde o pedido das senhas", pontuou.

Desempregado há três meses depois de 30 anos dedicados à profissão de marceneiro, Aleixo Cáceres Filho, de 54 anos, disse que não havia outro caminho a não ser esperar, já que precisa do trabalho. "O certo não seria ter que madrugar para conseguir entrar na fila, mas o país está assim e não podemos fazer nada",  comentou ele que busca oportunidade também como pintor, estoquista, auxiliar de almoxarifado e montador.

ALÍVIO

Apesar das reclamações, havia quem estivesse animado com a possibilidade de conseguir o primeiro emprego, como a estudante Beatriz da Cruz Lopes, 18. A jovem moradora na região do Nova Campo Grande buscava trabalho como auxiliar administrativo, depois de seis meses de experiência como menor aprendiz. O salário seria usado para custear a faculdade de Pedagogia. "Quero ser professora", disse.

Uma das últimas pessoas da fila, mas nem por isso preocupada, estava Lohaine Caroline, 25 anos. Depois de trabalhar por três anos como operadora de caixa em estabelecimento na região do Tijuca, onde reside, ficou desempregada por mais de um ano, fazendo bicos como atendente de lanchonete. Porém, estava na Funsat por um bom motivo. "Eu consegui um emprego no comércio e vim trazer a documentação", relatou a jovem que pensa em retomar o curso de administração. "Tive que parar a faculdade por conta do desemprego".

FUNSAT

Por meio da assessoria de comunicação, a Funsat explicou que, em média, são atendidas 400 pessoas por dia. Certos atendimentos demoram cerca de1 hora, por conta do sistema do Ministério do Trabalho e Emprego que é lento, e não em razão da falta de servidores. Além disso, para otimizar os serviços, são liberadas senhas para expedição de carteiras, seguro e senhas. A Funsat alegou compreender a frustração de algumas pessoas que esperam na fila, mas disse que tenta ouvir todas e buscar soluções possíveis.

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