[Via Campo Grande News]
Quando a sugestão de conhecer o salão de cabeleireiro de Paula e Stephani chegou até nós, percebemos que o lugar podia ser diferente. Sem fachada, mas com um cantinho nos fundos todo intimista e criativo, o "Paula Garde Cabeleireira", chegou para ser o salão de beleza LGBT da cidade. Sem a imposição de regras, tudo que elas querem é deixar os clientes à vontade longe dos padrões estéticos.
"É trabalhar com naturalidade. O espaço a gente pensou porque a maioria das pessoas que a gente conhece não se sentiam a vontade num ambiente convencional. Os lugares são muito específicos", explica a proprietária Paula Garde, de 27 anos.
Casada com Paula, Stephani explica que na hora de ir ao salão ou barbearia, quem é lésbica ou gay se deparam sempre com imposições de beleza e até os papos não batem. "Em espaço convencional é tudo muito quadrado e careta, a gente entra no salão com a unha toda horrorosa e sobrancelha e as pessoas ficam olhando o que você tem que fazer, mas as vezes você nem quer", diz.
As duas se conheceram há seis anos, aqui na Capital. A história envolve capítulos de namoro graças a um encontro na faculdade que estreitou os laços entre as duas. Bióloga, Stephani largou a vida no Paraná para estudar em Campo Grande e, Paula formou em Artes Visuais, mas hoje administra negócios ao lado da família. Mas agora ela dividem o sonho de crescer com o salão e fazer do lugar um espaço diferente que respeite a todos públicos, principalmente os gays.
A avó de Stephani e o avô de Paula coincidentemente também foram cabeleireiros e com história reconhecida pelos clientes. No salão quem se especializou em corte e tintura é Paula, Stephanie admite que fica para dar pitaco e com quem marca horário. Mas as duas lembram com carinho da história dos avós que influenciaram bastante na decisão e até na decoração do espaço.
"Meu avô era cabeleireiro em Ribeirão Preto (SP), meu pai conta que ele era considerado o melhor cabeleireiro da cidade. Quando nasci ele já era aposentado, mas trabalhou durante muitos anos. As fotografias daquela época mostram penteados incríveis".
Admirada pelo trabalho do avô, quando Paula começou a cortar o cabelo, ela usava as mesmas tesouras que eram dele e as fotos agora fazem parte da decoração do espaço. "Faço questão de guardar, é uma recordação muito bonita".