Esporte mistura elementos do tênis, beach tennis e tênis de mesa em partidas rápidas e acessíveis; Brasília já conta com academias, clubes e espaços dedicados à prática
Imagine uma quadra menor, uma raquete mais curta, uma bola plástica cheia de furos e um jogo capaz de misturar velocidade, reflexo e estratégia sem exigir grandes deslocamentos. Essa é a receita do pickleball, modalidade criada nos Estados Unidos e ainda relativamente nova para muitos brasileiros, mas já em expansão no país e começando a conquistar espaço entre os praticantes de esportes de raquete em Campo Grande.
O nome pode parecer estranho para quem nunca teve contato com o esporte, mas a dinâmica é fácil de entender. O pickleball combina elementos do tênis, do beach tennis e do tênis de mesa. As partidas podem ser individuais ou em duplas e são disputadas em uma quadra de dimensões menores em comparação a de tênis, com uma rede mais baixa, uma raquete específica e uma bola plástica perfurada.
Outros detalhes lembram o tênis. O objetivo é fazer a bola passar por cima da rede e tocar dentro da área válida da quadra adversária sem permitir uma devolução capaz de manter a disputa. Uma das particularidades está na chamada kitchen, ou zona de não voleio, uma área de 2,13 metros a partir da rede em cada lado. Nela, não é permitido acertar a bola de primeira, no ar, enquanto o jogador estiver dentro da área.
Há mais uma regra característica: a chamada regra dos dois quiques. Após o saque, a devolução precisa quicar antes de ser rebatida novamente. Depois desse segundo quique, os jogadores podem optar por voleios ou golpes após o quique, dando início a uma dinâmica de trocas rápidas e variadas.
Mais estratégia, menos distância
A quadra reduzida faz diferença na experiência de quem joga. Em comparação com o tênis, os deslocamentos são menores, mas isso não significa um esporte parado. Mudanças de direção, acelerações curtas, reflexos e tomadas rápidas de decisão fazem parte de praticamente toda troca.
A dinâmica também muda a relação com a força. Com os jogadores mais próximos e menos espaço para deslocamentos longos, a escolha do golpe e do lugar para colocar a bola pode ser tão importante quanto a potência.
Quem pode jogar?
Uma das características apontadas por praticantes e profissionais é a facilidade para começar. Não é necessário ter experiência anterior com tênis, beach tennis ou outra modalidade de raquete. Os fundamentos podem ser aprendidos gradualmente, enquanto a intensidade aumenta conforme o jogador desenvolve domínio dos golpes e da movimentação.
A modalidade também permite trabalhar diferentes capacidades físicas. Agilidade, coordenação motora, equilíbrio e velocidade de reação aparecem durante as partidas, enquanto a necessidade de antecipar jogadas e escolher onde colocar a bola acrescenta uma camada cognitiva ao exercício.
Para quem está acostumado ao tênis ou ao beach tennis, a adaptação pode parecer natural. Para quem nunca segurou uma raquete, o desafio é outro: aprender a controlar uma bola mais leve, entender os limites da kitchen e descobrir a importância de colocar a bola no lugar certo. É justamente nessa mistura entre simplicidade para começar e estratégia para evoluir que o pickleball vem encontrando espaço na capital.