Economia

Dólar opera em queda em relação ao real nesta segunda

[Via G1]

O dólar operava em queda de quase 1% ante o real nesta segunda-feira (21), acompanhando o movimento da moeda norte-americana ante outras moedas no exterior, mas com os investidores atentos aos desdobramentos políticos brasileiros.

O movimento de queda vinha mesmo após o Banco Central reduzir sua atuação no mercado de câmbio.

Às 10h49, a moda norte-americana caía 0,779%, a R$ 3,3606. Veja a cotação do dólar hoje.

Acompanhe a cotação ao longo do dia
Às 9h20, queda de 0,49%, a R$ 3,3703
Às 9h59, queda de 0,97%, a R$ 3,354

"Mesmo sem o BC, o dia começou mais calmo com o exterior", comentou o diretor de câmbio da corretora Multi-Money, Durval Correa, segundo a agência Reuters. "Mas a autoridade pode voltar a atuar mais firmemente a partir do momento que tiver pressão compradora mais forte e até para conter a inflação", completou.

O momento de alívio veio depois da forte onda de aversão ao risco, que levou o dólar às máximas em anos, causada pela surpreendente eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos, que alimentou o temor entre os investidores de que a política econômica norte-americana pode se tornar inflacionária e pressionar o Federal Reserve, banco central do país, a elevar ainda mais os juros.

A pesquisa Focus do BC, que ouve uma centena de economistas toda semana, mostrou maior previsão para o dólar no fim de 2016, a R$ 3,30, ante R$ 3,22, após a vitória de Trump.

Diante do cenário de menor pressão, o BC brasileiro indicou que fará menos intervenções ao anunciar na noite de sexta-feira apenas a rolagem dos contratos de swaps cambiais tradicionais que vencem no início de dezembro.

O BC anunciou que irá ofertar nesta sessão até 20 mil contratos de swaps cambiais tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- com vencimento em 1º de fevereiro de 2017 e 1º de março de 2017.

"Sem os leilões novos do BC, o dólar está totalmente livre para seguir seus pares", comentou um profissional da mesa de câmbio de uma operadora.

Atuação do BC
Na semana passada, o BC intensificou sua atuação no mercado de câmbio devido ao salto do dólar frente ao real, ao mesmo tempo em que o Tesouro também agiu no mercado de títulos públicos. As ações trouxeram mais equilíbrio aos mercados financeiros, com a moeda norte-americana fechando a última semana com queda acumulada de 0,16%, depois de ir acima de R$ 3,50 no intradia.

"Não acho improvável o dólar voltar a acelerar ante o real, mas de modo mais suave. Não deve acontecer novamente o efeito manada que se seguiu às eleições nos EUA", comentou Correa, da Multi-Money. "O mercado já vem se acomodando", emendou.

O que pode influenciar nos preços é o novo revés político do governo do presidente Michel Temer, com a saída do então ministro da Cultura Marcelo Calero, que acusou o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, de pressioná-lo para liberar um empreendimento embargado em Salvador.

"O desenrolar desse caso está no radar do mercado", comentou um profissional da mesa de renda fixa de uma corretora.

Na cena política e econômica, também pesava sobre os investidores a atual situação financeira dos Estados e novas prisões de político influentes. O temor é que esse cenário possa atrapalhar a votação de medidas importantes para o governo no Congresso Nacion

Último fechamento

O dólar fechou em queda em relação ao real nesta sexta-feira (18), influenciado pela intervenção do Banco Central em meio às apostas entre os investidores de que os juros nos Estados Unidos devem subir em breve.

A moeda norte-americana caiu 0,93%, a R$ 3,387. Na máxima do dia, chegou a R$ 3,4383, segundo a Reuters. Na semana, o dólar teve leve queda em relação ao real, de 0,16%.

Juros nos EUA
O mercado monitora pistas sobre o rumo dos juros nos Estados Unidos porque taxas mais altas devem atrair para aquele país recursos aplicados atualmente em outros mercados. Isso motivaria uma tendência de alta do dólar em relação a moedas como o real.

Na quinta-feira, a chefe do Federal Reserve, Janet Yellen, disse que a eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos não alterou em nada os planos do banco central norte-americano de aumentar a taxa de juros "relativamente em breve".

Com isso, cresceram as apostas de que o Fed elevará os juros em dezembro. E, com temores de que a política econômica de Trump possa gerar inflação nos EUA, aumentaram também as expectativas de que o Fed pode acelerar o passo de sua política monetária mais apertada, destacou a Reuters.

Compartilhe: