Presidente sabe do risco do emprego de tropas mas deixar o Estreito de Ormuz fechado não é opção
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem enviado sinais contraditórios sobre negociar o fim da guerra com o regime iraniano e escalar o conflito com o emprego de tropas no terreno. O objetivo é obter a reabertura do Estreito de Ormuz sem ter de pagar o alto custo humano que as ações militares poderão impor.
Trump assegurou que “as conversas com uma liderança mais razoável do Irã estão progredindo, têm sido produtivas e provavelmente será alcançado um acordo em breve”, antes do ultimato por ele imposto, do dia 6 de abril.
Ao mesmo tempo, o presidente americano ameaçou tomar ou devastar os terminais da ilha de Kharg, por onde passa 90% do petróleo iraniano, “obliterar as usinas de energia, os poços de petróleo e possivelmente as plantas de dessalinização”.
As Forças Armadas americanas e israelenses certamente têm essa capacidade. O problema é que o Irã ameaça — e demonstrou ser capaz de – atacar também as usinas de energia e dessalinização das monarquias árabes do Golfo Pérsico, aliadas do governo Trump.
As ameaças ganharam credibilidade com o envio de milhares de fuzileiros navais e paraquedistas. Por mais qualificadas que sejam essas unidades de elite, o risco de mortes de militares americanos é muito alto, em um terreno conhecido e controlado pelo inimigo, que tem grande experiência com guerra de guerrilha.
Apenas 25% dos americanos apoiam a guerra, segundo pesquisa Ipsos/Reuters. Esse número pode diminuir, se houver mais mortos, além dos 13 atuais, e feridos, que já chegam a 300.
Por outro lado, um desfecho no qual o Irã passe a exercer controle permanente sobre o Estreito de Ormuz, pelo qual passa 20% do petróleo e do gás, 33% dos fertilizantes e 9% do alumínio do mundo, é politicamente muito prejudicial para os republicanos, que enfrentam eleições para toda a Câmara e um terço do Senado em novembro.
Diante disso, o objetivo de Trump é desbloquear o Estreito sem o emprego maciço de militares, ou seja, pressionando os iranianos a negociar.
É para isso que o presidente americano prepara a opinião pública, simulando uma boa vontade de seus interlocutores iranianos, que ao que tudo indica não é real. A ideia é fazer concessões aos iranianos sem que muitas pessoas de fora percebam.
Via CNN Brasil