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A 3 dias do Natal, rapaz liga para imprensa e ameaça suicídio; casos são mais recorrentes fim do ano

[Via Correio do Estado]

Na manhã deste sábado o telefone da redação tocou com um pedido de socorro, do outro lado da linha era um rapaz que se identificou pelo nome, disse que iria cometer suicídio e gostaria da cobertura da imprensa. Por 10 minutos, a repórter ouviu o que ele tinha a dizer. Um desabafo de quem relatou estar sem familiares e que não conseguiria ir até a cidade onde a mãe mora, no interior do Estado.

Os casos de tentativa e suicídio costumam aumentar na época de festas de fim de ano, quando as pessoas se sentem mais sozinhas. “Período de férias nos remete à família e, quando eu fico sozinho, começo a ficar deprimido, angustiado e isso pode levar a um pensamento de autodestruição”, comenta Roberto Sinai, que desde 1998 coordena voluntariamente redes de apoio à vida, como CVV e hoje o GAV (Grupo de Apoio à Vida).

Durante o tempo em que esteve na linha, o leitor disse já ter tentado acabar com a dor outras vezes, uma no ano passado e a última na quinta-feira. À repórter, ele falou que estava no Terminal Bandeirantes, onde aguardava a chegada de um ex-colega de trabalho. Ao mesmo tempo em que tentava tirar informações do rapaz, outra repórter fazia contato com o Corpo de Bombeiros para informar da situação.

“Nós precisamos pensar assim: ninguém quer se matar, ninguém quer morrer. As pessoas querem se livrar de uma dor, de um sofrimento. Quando ele ligou para vocês, estava fazendo um pedido de socorro”, explicou Sinai.

Os bombeiros foram acionados, no entanto a Polícia Militar que foi até o terminal, sob a justificativa de que os bombeiros estavam sem viatura. O Correio do Estado chegou a ir até o local conversar com o leitor.

“A melhor forma, quando uma pessoa liga e fala isso, é ouvi-la. As pessoas quando nos procuram, sabemos que querem ser ouvidas com atenção, sem serem julgadas ou direcionadas e sim acolhidas”, reforça Roberto Sinai.

Em Campo Grande, os telefones para pedido de ajuda são: 141 e 3383-4112, do GAV e, do CVV: 188. O CVV – Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, email e chat 24 horas todos os dias.

 

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