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Turismo de negócios impacta hotéis de Mato Grosso do Sul

Redação

O turismo para entretenimento já começa a ganhar fôlego em Mato Grosso do Sul, por outro, o turismo de negócios ainda não vislumbra a mesma retomada.

A pandemia do novo coronavírus colaborou para que muitos eventos migrassem para o universo virtual, tendência que pode se perpetuar no pós-pandemia.

O turismo de negócios é o que mais atrai visitantes para Campo Grande. O setor hoteleiro sofre com a falta desses turistas.

A taxa de ocupação do setor hoteleiro atualmente é de 15%. Mato Grosso do Sul tem cerca de 39 mil leitos disponíveis em seus hotéis. Somente em Campo Grande, são 7,5 mil acomodações.

Leia também: Com preços congelados, Bonito já recebe os primeiros turistas.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em MS (ABIH-MS), Marcelo Mesquita, o mês de julho será desafiador.

“Não temos muitas expectativas positivas para a retomada na hotelaria. As perspectivas e os estudos realizados até agora demonstram que levaremos três anos para restabelecermos as mesmas diárias médias e a taxa de ocupação que tivemos no ano passado”.

“A perspectiva da hotelaria de uma maneira geral, assim como de Campo Grande e do Estado, é que essa retomada será muito lenta, com dificuldade em retomar o fluxo de hóspedes e o caixa positivo”, disse”.

Para a diretora do Campo Grande Destination (Convention Bureau), Maria Harada, para equilibrar os custos seria necessário, no mínimo, que 50% das acomodações estivessem ocupadas.

“A incerteza com o término da pandemia, que atingiu fortemente nosso setor de turismo, em especial a hotelaria, fez entrarmos em estado de total alerta”.

“Acreditamos que nossa retomada começará após o retorno da operação da malha aérea, quando voltarmos a operar com a mesma capacidade de voos de antes da pandemia, mas, até o momento, estamos sem previsão”.

NEGÓCIOS

Levantamento do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Fecomércio-MS (IPF-MS) realizado entre 2018 e 2019 apontou que 60% dos turistas que visitam Campo Grande são provenientes do Estado. Do público que visita à Capital, 31,11% visita amigos ou familiares e outros 30,37% dos visitantes vêm por conta de negócios.

O turismo de negócios movimenta a hotelaria de Mato Grosso do Sul e é uma das grandes preocupações dos representantes do setor.

Mesquita explica que os eventos, como conferências técnicas e científicas, que haviam sido postergados para o segundo semestre de 2020, voltaram a ser remarcados.

“A maioria dos eventos foram para o ano que vem. Na verdade, percebemos que a pandemia ainda está fora de controle e a tendência é que tenhamos ainda uma maior retração. Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, que influenciam grandemente o setor de negócios por serem grandes centros, estão parados. E enquanto eles estiverem estagnados, o resto do País também estará”.

TENDÊNCIA

Durante a pandemia, para evitar aglomerações, empresas adotaram o home office (ou teletrabalho) e as reuniões, conferências e cursos passaram a ser realizadas por meios digitais.

Os representantes do setor acreditam que a tendência é a de que no pós-pandemia muitos adotem o novo formato.

“Acredito que isso é uma mudança que deve ficar a longo prazo, as pequenas reuniões tendem a diminuir drasticamente em função dos meios virtuais. Se a pandemia ficar controlada, alguns eventos técnicos e científicos tendem a voltar, mas os menores, não”, disse Mesquita.

De acordo com a diretora do Convention Bureau, já houve tratativas com representantes do poder público para que o setor não quebre.

“É preciso olhar para nosso setor, que é um importante gerador de empregos em nossa cidade. Em relação aos formatos de reuniões on-line, sem dúvidas atingirão negativamente nosso segmento: quem ainda tinha dificuldade com este formato passou a “aprender” a operar em função da necessidade do distanciamento. O setor de eventos e convenções também terá suas tristes consequências”, disse Maria Harada.

Uma das tentativas para mitigar as perdas ficaram apenas no papel. A ABIH-MS foi sondada pelo Ministério do Turismo para disponibilizar 600 leitos para abrigar profissionais da saúde durante a pandemia, mas o projeto não avançou.

De acordo com o presidente da associação, os Ministérios do Turismo e da Saúde sondaram a Capital para que os hotéis fossem utilizados por servidores da saúde. Somente em Campo Grande seriam 600 leitos comprados.

“Fiz todo o levantamento necessário, enviei as informações, mas não houve mais manifestação da Saúde e Turismo”, disse Mesquita.

CONTRAPONTO

Por outro lado, o turismo voltado ao entretenimento já projeta retomada mais otimista. No fim de semana, com a adoção de medidas de biossegurança e reabertura de alguns atrativos, as cidades turísticas do Estado começaram a receber os primeiros turistas.

Além disso, agências já voltaram a comercializar passeios.

Segundo o secretário de Turismo, Indústria e Comércio de Bonito, Augusto Mariano, os agentes de viagens venderam, em três dias de retorno, 313 passeios na cidade.

“A expectativa é excelente, porém modesta. Não podemos esquecer que os aeroportos estão operando com poucos voos”.

“Temos duas fronteiras internacionais, com Bolívia e Paraguai, que são os dois maiores emissores de turistas estrangeiros e que também estão com as fronteiras fechadas. Mas, ao mesmo tempo, estamos próximos de São Paulo, Paraná, Goiás e Mato Grosso. O acesso por meio do transporte rodoviário vai fortalecer o turismo em família”.

O presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens no Estado (Abav-MS), Ney Gonçalves, acredita que a partir de agosto todo o segmento começará a registrar bons números.

“Voltando alguns destinos aqui no Estado, como Pantanal e Bonito, nossa expectativa é de lenta retomada.

Sabemos que as pessoas só vão começar a fazer turismo a partir do momento em que adquirirem uma certa confiança. Nós esperamos que em agosto as coisas já comecem a melhorar.

Algumas agências estão começando a vender”, disse.

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