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Polícia

Corrupção leva dois ex-presidentes à prisão

Redação

[Via Correio do Estado]

Os dois ex-presidentes do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Michel Temer (MDB) que estão presos tem a prisão motivada pelo combate à corrupção e investigações da Operação Lava Jato – que completou cinco anos no domingo (17). Temer foi preso preventivamente ontem em São Paulo e encaminhado para o Rio de Janeiro aonde está em uma cela da Polícia Federal.

A prisão decretada pelo juiz Marcelo Bretas teve como base a delação de José Antunes Sobrinho, dono da Engevix. O empresário disse à Polícia Federal que pagou R$ 1 milhão em propina, a pedido do coronel João Baptista Lima Filho (amigo de Temer), do ex-ministro Moreira Franco e com o conhecimento do presidente Michel Temer. São apurados os crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
A Engevix fechou um contrato em um projeto da usina de Angra 3.

Lula está preso desde o dia 7 de abril deste ano e foi condenado a 12 anos e um mês pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso triplex do Guarujá (SP).

A prisão de Temer marca um momento histórico no Brasil, onde dois ex-presidentes estão ao mesmo tempo atrás das grades. Ele é o segundo ex-presidente do Brasil a ir para a prisão por crime comum. O primeiro foi Luiz Inácio Lula da Silva.

Além de Temer outras nove pessoas tiveram a liberdade restringida pela Justiça sendo elas: João Batista Lima Filho – coronel Lima-, amigo de Temer e dono da Argeplan; Wellington Moreira Franco, ex-ministro do governo Temer; Maria Rita Fratezi, arquiteta e mulher do coronel Lima; Carlos Alberto Costa, sócio do coronel Lima na Argeplan; Carlos Alberto Costa Filho, diretor da Argeplan e filho de Carlos Alberto Costa; Vanderlei de Natale, sócio da Construbase; Rodrigo Castro Alves Neves, responsável pela Alumi Publicidades; Carlos Jorge Zimmermann, representante da empresa finlandesa-sueca AF Consult. Carlos Alberto Montenegro Gallo, administrador da empresa CG IMPEX – ainda está sendo procurado.

Na sentença, o juiz Marcelo Bretas disse que as prisões preventivas são necessárias para garantir a ordem pública. Segundo ele, “uma simples ligação telefônica ou uma mensagem instantânea pela internet são suficientes para permitir a ocultação de grandes somas de dinheiro, como parece ter sido o caso”.

Apenas os mandados contra Rodrigo Castro Alves Neves e Carlos Jorge Zimmermann são de prisão temporária, com duração de cinco dias, que pode ser prorrogada. Os demais não tem data para serem libertos.

A prisão de Temer repercutiu no Congresso Nacional, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), rechaçou a especulação de políticos nos bastidores de que a decisão do juiz Marcelo Bretas de determinar as prisões do ex-presidente, e do ex-ministro Moreira Franco – que é sogro do parlamentar – seria uma espécie de “troco” ao Congresso. O “troco” seria resposta à troca de farpas entre Rodrigo Maia e o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, sobre o pacote anticorrupção enviado ao Congresso.

Em viagem internacional, ao desembarcar em Santiago, no Chile, o presidente Jair Bolsonaro comentou dizendo que cada um deve responder pelos seus atos. “A Justiça nasceu para todos e cada um que responda pelos seus atos”, declarou Bolsonaro em uma breve conversa com a imprensa no aeroporto da capital chilena.

Lula criticou a prisão de Temer em seu Twitter oficial e aproveitou para atacar a Lava Jato, que para ele “tenta desviar a atenção do descrédito em que estava caindo e do fundo de 2,5 bilhões que negociaram com os EUA”.

“Instituições poderosas como o MP e a PF não podem ficar fazendo espetáculo. Todo aquele que cometer um crime, se o crime for provado, tem que ser punido. Seja o Temer, ou o Lula. Seja o FHC ou o Bolsonaro”, escreveu o hóspede da carceragem da PF em Curitiba.

O advogado Eduardo Carnelós, que defende o Temer, divulgou nota em que classifica a prisão do seu cliente como sendo um “dos mais graves atentados ao estado democrático e de direito no Brasil”. A defesa já ingressou com pedido de habeas corpus  na Justiça Federal.

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