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Com diploma de Paola Carosella, Maria José procura 2ª chance

Redação

[Via Correio do Estado]

Há dois dias, Maria José realizou um dos sonhos que tinha: de virar cozinheira no papel. O diploma que ela recebeu foi das mãos da MasterChef Paola Carosella, dentro do curso Cozinha e Voz, que ensinou técnicas para transformar mulheres do sistema carcerário e vítimas de violência doméstica em auxiliares de cozinha.

“Todas nós merecemos uma segunda chance na vida, porque errar é humano, então a gente só quer mostrar que é capaz. E por mais que nós erramos, hoje em dia a gente está lutando a troco da nossa liberdade”, diz Maria José Ferreira Dantas, de 44 anos.

Do semiaberto, Maria José cumpre pena por tráfico de drogas. Não tem vergonha de falar do passado, mas se orgulha muito mais em falar de agora. “Eu estou muito feliz por ter terminado o curso, foi um grande sonho a ser realizado. Eu sempre cozinhei, mas nunca tinha feito nenhum curso na minha vida, estou feliz de verdade”.

Hoje ela trabalha, durante o dia, na construção civil, mas sonha em recomeçar dentro da cozinha. “Vou esperar uma vaga, se alguém quiser me contratar…”, se oferece.

O curso que já passou por São Paulo, Goiás e Bahia, chegou a Campo Grande por iniciativa do Tribunal de Justiça em parceria com o Ministério do Trabalho e Senac. Agora, o próximo passo é colocar as 19 novas auxiliares de cozinha em bares e restaurantes. “Já fizemos uma reunião com empresários e representantes da Abrasel e foram selecionadas quatro mulheres para estágio no Senac”, conta a juíza da Vara de Violência Doméstica e Familiar de Campo Grande, Jac­queline Machado. As demais vão passar por entrevista e seleção conforme as vagas forem oferecidas. “A Abrasel está se incumbindo disso, não há certeza da contratação, mas elas vão passar por entrevista”, afirma a magistrada.

O encerramento do curso que contou com a participação de Paola Carosella foi pura emoção. Era parte da oficina escrever e declamar poesias a fim de dar, além da cozinha, voz para as mulheres. “Elas ficaram muito emocionadas e nós que assistimos, também. Uma delas disse que foi a primeira vez que conseguiu ser ouvida, que sempre foi invisível”, descreve Jaqueline.

Com dificuldade de se colocarem no mercado de trabalho, o projeto funciona como ressocialização às detentas do semiaberto e do regime aberto e como possibilidade de autonomia financeira para que as mulheres vítimas de violência consigam sair dos relacionamentos abusivos. As aulas também serviram para a sororidade entre elas. “Foi uma alegria muito grande, não só para mim, como para as outras meninas ter conhecido pessoalmente a Paola Carosella. Tirei foto com ela”, exibe Maria José.

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